Casamento Real

agosto 1, 2017

Casar no processo!

Érica e Silvio – 14/07/2017

Um chapéu panamá comprado em 2011. Eu havia terminado o doutorado e durante as comemorações, avistei o chapéu que ele tanto queria e já pensei que o ‘próximo passo seria o casamento’. Um vestido não branco, mas champanhe, encontrado na forma de “amor a primeira vista” e comprado em uma loja de departamento em época de ano novo – porque tá tudo branco ou quase branco nas vitrines e, assim, com um pouco de criatividade podemos encontrar um “vestido de noiva”. Isso foi entre 2013 e 2014, mesmo ano da compra das alianças. Depois de olhar muito todas as vitrines e quase desistindo, cruzei com ele pendurado em um cabide na tal loja de departamento, com outros dois iguais, e com aquelas etiquetas de preço bem à mostra, sem nenhum glamour…, mas com uma energia sutil de felicidade, maravilhosa – foi o que sempre sonhei para meu casamento: naturalidade. Éramos simplesmente eu e ele (vestido) ali, nos entendendo à primeira vista, mas no meio de várias mulheres ao redor, fazendo suas compras, nem sequer sonhando que eu, naquele momento, escolhia o meu vestido de noiva. Pelo menos pra mim. Pelo menos para a noiva despretensiosa que eu pretendia ser. Instantaneamente meu lado visual e perceptivo aguçado, próprio dos arquitetos, já contextualizou aquela forma e textura bordada em um conjunto de arranjos, acréscimo de um pouco de brilho, o buquê, o ambiente, a atmosfera e energia de um casamento. Um casamento sonhado, a princípio, para ser em uma praça com desenho circular no meio, onde eu e meu marido nos encontraríamos no centro, vindos um de cada lado. Os convidados em pé contornando o círculo. Receberíamos uma benção, estouraríamos um champanhe e brindaríamos. Era simples assim… O que sempre importou para mim no casamento, seria toda esta atmosfera de bênçãos e energia que receberíamos por estar no meio da natureza, cercados por pessoas queridas e focados um no outro.

Ainda passariam 6 anos após a compra do chapéu-panamá, 3 anos e meio após a compra do vestido e 3 anos após a compra das alianças, que passou a ser um objeto de enfeite na estante de livros; recusei-me a guardá-las no fundo do armário, como estavam o vestido e o chapéu. Era um objeto nosso, então deveria ficar em um local onde nós poderíamos ver. Confesso que durante este tempo houve muito desânimo e frustração com relação à possibilidade de realizar o ritual do casamento. Vez ou outra eu olhava para o vestido e … baixava o olhar… Vez ou outra eu abria a caixa das alianças e voltava para o mesmo lugar. Já estávamos casados na vida cotidiana, mas o momento de tomarmos a decisão de realizar nossa cerimônia parecia não chegar. Até chegar aquele ponto em que você se entrega e para de pensar ou falar… deixa acontecer por si… Mas não percebemos que a essência e energia está toda no ar, ainda que quieta, já estava em construção, esperando o momento. E é quando acontece!!  Parece uma fórmula da natureza: pare de forçar que acontece! Alguns elementos de desejo foram movidos, a ideia e intenção comunicada para a natureza, é só deixar agir. Chega o momento que ela age.

Julho de 2017 seria a data que completaríamos 10 anos juntos. Muitas outras questões emocionais, práticas e financeiras já estavam sendo resolvidas há algum tempo, e então, finalmente era chegado o momento de concretizarmos nosso casamento!!! Com tanta programação sutil ao longo dos anos, não foi tão difícil concretizar o civil e a cerimônia em pouco mais que dois meses.

Eu mal imaginava o quanto o processo de organização do nosso casamento seria tão edificante para mim como pessoa e para nós enquanto casal.

Quando a vida e nossa energia decidem que “sim”, não há nada que possa agir no “não”. Começava a corrida para realizar o dia que seria um dia perfeito para nós. Mas, antes, muitas coisas aconteceriam, e coisas maravilhosas. A praça foi substituída e adaptada para um lugar com árvores, sol, natureza. Onde encontrar isso em Ribeirão, um lugar pequeno, dentro do nosso orçamento e perfil de cerimônia. Uma amiga indicou o restaurante Matuto. Visitamos dois outros lugares antes, mas quando pisamos no Matuto, foi um amor à primeira vista tão forte para os dois, que foi difícil ir embora da visita. Pronto, estava decidido. Aquele era o lugar. Gramado impecável, jeito caseiro, parecido com nossas raízes simples, piso vermelhão (que amo!), árvores, sombra, samambaias e um toque de organização e requinte que também prezamos. Não tínhamos dúvida de que a comida era deliciosa, pelas boas referências. E a empatia e simpatia da Chefe, agregou ainda mais nosso sentimento de “estarmos à vontade para casar no local”. Do contato com as pessoas tão receptivas do Matuto, foi indicada uma cerimonialista: eu jamais havia pensado em uma cerimonialista, mas começava a se delinear a necessidade de uma, se quiséssemos algo bem feito.

Cada dia mais percebo que a energia que carregamos é a que atraímos. Isso parece meio clichê, mas quando entramos em uma sintonia onde tudo flui, coisas maravilhosas podem acontecer. Todos os contatos foram uma sucessão de facilidades, coincidências, energia positivas e empatias que foram construindo dentro de mim um fortalecimento incrível, enquanto pessoa e para nós dois enquanto casal. Fomos casando aos poucos, a cada contato, conversa em casa e nos encontros. Nossos votos foram feitos no decorrer de todo esse processo, em casa, com amigos, começamos a nos redescobrir nesta nova maneira, e fomos nos casando com outros “nós mesmos” também. A cada contato com as pessoas, uma celebração à nossa união. A cada tarefa a cumprir, buscar pessoas e soluções para nosso evento, um desafio pessoal a vencer. Organizar cada detalhe do casamento foi um desafio pessoal magnífico que fui superando a cada passo. Dirigir mais, negociar, orçar, pintar aquarela, criar os convites, tags, cardápio e folhetos de poemas, fechar os convites com selo de cera em um ritual delicioso e difícil ao mesmo tempo, costurar com a ajuda de minha mãe, escolher músicas até de madrugada, chorar sem saber por que, não dormir direito, mas estar inteira e pronta pra fazer tudo no dia seguinte… e assim, com uma boa vontade imensa, apesar do cansaço, fui e fomos encontrando as pessoas certas, de maneira fluida.

Ter indicação de uma cerimonialista maravilhosa (Sandra Olivério), que foi empatia à primeira vista, pessoa inesquecível que soube entender todos os nossos limites e “times”, valorizar nossa simplicidade e bom gosto ao mesmo tempo.

Bater um papo maravilhoso com uma fotógrafa amante do simples, do descontraído e dos animais, como a Sté Frateschi. Rimos e choramos juntas no primeiro encontro, falando de nossos anjos de quatro patas. Pronto, resolvido, era ela! Nos acompanhou com felicidade nos vários momentos: civil, making off, casamento e pós-casamento na praça com nossas filhas pet.

Encontrar nos últimos dias, a mesma energia com a Jessica (Panorâmica filmes), que prontamente e delicadamente se entusiasmaram com o formato do nosso casamento. Café, brigadeiro, risadas, emoções, empatias… mais uma energia decidida. Eu estava vivenciando e valorizando cada um destes momentos.

Entre flores, arranjos, maquiagem, cabelo e bolo, aluguel de móveis, peças… a repaginação do acabamento do meu vestido, foi um processo enriquecedor. Lutar contra o uso de um véu, pois não me encontrava em nenhum e, “de repente”, assumir que o que eu queria mesmo era um véu amarrado, tipo “pirata”. Muitas das imagens da minha pasta do Pinterest tinham este véu, mas por algum motivo, eu negava a possibilidade de usá-lo (parecia não ser pra mim). No momento em que “ousei” experimentá-lo, 4 dias antes do casamento, eu parecia uma flor desabrochando, uma confiança se instalando. Eu me senti linda instantaneamente e isto foi um dos momentos mais emocionantes, uma cereja em todo o meu processo particular do casamento. Porque nos boicotamos tanto? A oportunidade estava ali… eu não teria outra, então, assumi!

Para finalizar penso que o tempo se encarrega de juntar as peças que vamos deixando marcadas; desejos expressados aqui e ali, convergindo em uma situação que acaba por surpreender a nós mesmos. Não imaginamos o tamanho da nossa obra quando no dia a dia valorizamos os pequenos atos. A somatória da conta chega, seja positiva ou negativa. Pra mim o casamento não precisava ser grandioso em números e volumes, mas as pequenas boas energias guardadas ao longo do tempo (música, chapéu, vestido, alianças…), envoltos em energia criativa, essência do bem e vontade em dividir isso com pessoas queridas era forte. Resultou em um dia maravilhoso e perfeito para nós. Com “pouco” fizemos muito. O suficiente para nos sentirmos felizes, amados, abençoados e realizados com nossa pequena grande obra, recheada de pessoas do bem, atraídas pela nossa essência. Não somos perfeitos, mas o processo nos faz melhorar. Isto tudo me faz lembrar do ditado que diz: o caminho se faz caminhando e a chegada, apenas o recomeço de uma nova caminhada.

Érica Cristina Cunha

Fornecedores:

Cerimonialista: Sandra Olivério
Local: Matuto Restaurante
Flores: Flores e Festas RP
Doces e Bem-casados: Le Bonbon Chocolate
Bolo: Izabela Junqueira
Foto: Sté Frateschi
Vídeo: Panorâmica Filmes
Móveis: Center Festas
Customização do Vestido: Célia Marquesini

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