O quarto trimestre da gestação e a exterogestação.

junho 9, 2017

A exterogestação compreende os primeiros 9 meses da vida extra-uterina do bebê, tempo geralmente suficiente para aprender a engatinhar, começar a se alimentar e dessa forma, sair de situações de risco quando está “longe” de sua mãe.

A gestação leva 9 meses, mas o bebê não está efetivamente pronto, pois se compararmos aos outros mamíferos ele é imaturo e depende muito mais dos cuidados de um adulto. O recém-nascido não consegue se levantar, coordenar os movimentos, se aquecer, se virar… A espécie humana – mamífera e bípede –  continua se desenvolvendo fora do útero, diferente dos demais animais, que já nascem andando. O cérebro se desenvolve e cresce tanto depois do nascimento, que o parto vaginal seria inviável (caso a gestação durasse mais tempo) e por isso, mesmo a gestação sendo completa o desenvolvimento continua acontecendo.

Ao final da exterogestação, o cérebro desenvolveu 50% e até 2 anos 80%, ou seja, estimular o bebê, dar atenção, amor e alimentação adequada nesse período faz toda a diferença.

O quarto trimestre

O pediatra Harvey Karp, autor do livro “O Bebê Mais Feliz do Pedaço. Por quê?” diz que devemos pensar nos três primeiros meses de vida do bebê como o quarto trimestre da gestação. Logo, reproduzir o que ele ouvia e via, os cheiros, sabores, texturas e temperaturas que sentia dentro do útero podem ajudar a acalmá-lo e a se sentir são e salvo – assim, ele vai chorar menos e dormir melhor. Para ele, o DESEJO de acalmar o bebê é instintivo, mas COMO fazê-lo não é, pois acalmar o bebê é uma habilidade que deve ser desenvolvida e aprimorada.

O quarto trimestre é a continuação da gestação e esses três primeiros meses de vida extra-uterina acabam sendo o tempo necessário para a adaptação do bebê no mundo aqui fora.

O silêncio absoluto incomoda, pois ele estava acostumado com os batimentos cardíacos, líquido e fluxo sanguíneo.

A luz excessiva também incomoda, pois ele estava sempre protegido de grandes variações de luminosidade.

O vazio ao redor, frio, movimentos irrestritos, também, pois ele estava acostumado a ficar contido em um espaço, seguro e sem grandes interferências.

Qualquer coisa assusta. O bebê recém-nascido precisa de colo, precisa ser acalentado, ouvir batimentos cardíacos, precisa de peito e calor humano para que se acalme. Você deve reproduzir as condições em que ele vivia dentro do útero para que ele se sinta seguro.

Acalme-o pelo tato

O berço do seu filho parece um galpão comparado com a confortável ambiente do qual ele acaba de ser expulso. Como as coisas eram apertadinhas no útero, o bebê estava acostumado ao estímulo tátil permanente. Alguns especialistas dizem que a transição do útero para o mundo fica mais fácil se o bebê é lembrado desse embrulho.

  • Faça o famoso pacotinho, ou charutinho. Com isso trazemos a sensação da limitação, assim como acontecia no útero.
  • Uma maneira de recriar a sensação física que o bebê tinha no útero é tirar a blusa e segurá-lo de encontro ao peito, contato pele a pele.  O pai também pode tirar a camisa e experimentar esse contato!
  • Massageie seu bebê, suavemente, por cerca de 10 minutos diariamente. Ele vai dormir melhor. A Shantala é uma ótima opção!

Acalme-o pelo olfato

Estudos vêm mostrando que o feto tem noção de odores, pois toda criança consegue reconhecer sua mãe pelo cheiro imediatamente após nascer.

  • O seu cheiro não só é reconhecível – é o melhor calmante que existe. Emprestar seu cheirinho a objetos que ficam perto de seu filho é uma boa maneira de acalmá-lo.
  • Não abuse de perfumes. Cheiros muito fortes, que não chegavam até o bebê pelo líquido amniótico – como o aroma de produtos de casa, banho e higiene – podem irritar o olfato de um recém-nascido. É bom dar um descanso para seu perfume também, mesmo que você tenha usado durante a gravidez.

Acalme-o pela audição

Se você anda na ponta dos pés desde que saiu da maternidade, pode parar. Não é o silêncio que vai acalmar seu bebê. Como já dissemos anteriormente, a falta de barulho é algo estranho para ele. O primeiro sentido que um embrião desenvolve é a audição, por volta de nove semanas. Na barriga, o bebê ouvia os sons do corpo da mãe. Além disso, todo barulho de fora acaba fazendo parte da sinfonia que rola dentro do útero.

  • O jeito mais fácil de você reproduzir a “música ambiente” do útero é fazer o clássico “shhh”. E pode fazer bem alto: “O barulho que o bebê escuta dentro do útero é mais forte que o de um aspirador”, de acordo com o dr. Karp. Tente chegar perto do volume do choro do bebê.
  • Converse com seu bebê. Seu bebê ouvia a sua voz antes de nascer. Falar com seu filho vai acalmá-lo. Também leia em voz alta. Recém-nascidos podem reconhecer uma história que você contou muitas vezes durante a gravidez. Neste caso, fale devagar e baixinho.  Coloque sons que você estava habituada a ouvir durante a gravidez, como música, por exemplo.

Acalme-o pela visão

A visão começa a se desenvolver por volta de 26 semanas de gravidez. Com poucos dias de vida, o bebê distingue entre a imagem de sua mãe e a de um estranho. Ajuste a luz. No útero, seu filho conseguia perceber um pouco da luz de fora, sim. Uma luz bem suave pode acalmá-lo.

  • Mostre seu rosto. Seu rosto deixa o bebê aliviado, pois está associado com o cheiro e com a voz que ele conhece desde a barriga. Pode ser difícil olhar nos olhos de uma criança no maior berreiro, mas respire, aproxime-se e fale com voz calma.
  • Mas atenção, permita que ele tenha contato com a luz, especialmente a natural, para que ele possa diferenciar o dia da noite. O seu filho não percebe que madrugada é hora de dormir, pois na barriga, dia e noite eram a mesma coisa para ele. O Dr Karp explica que “Se você quer organizar o ritmo das sonecas do bebê, exponha-o à luz.” Para ele, a solução para corrigir bebê que fica acordadão durante a noite é dar umas voltinhas com ele durante o dia, no carrinho.

Acalme-o pelo paladar

No útero, o bebê podia experimentar os alimentos que você consumia via líquido amniótico. Depois, ao ser amamentado, o bebê pode ter preferências pelo sabor dos alimentos que passam pelo leite da mãe.

  • Vá com calma. Dê mais um tempo para voltar a consumir aquele roquefort proibido pelo médico durante a gravidez. Alimentos muito diferentes causam estranhamento para o seu pequeno.
  • Coma bem. Mantenha a dieta que fazia durante a gravidez. “Tem gente que diz para evitar alho enquanto se amamenta, mas alguns bebês até preferem, pois é com o que estão acostumados”, diz o dr. Karp.

Agora é só colocar essas dicas em prática e aproveitar um bebê calminho, calminho!!

 

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